Programando a igualdade

Projeto ajuda mulheres com oficinas de programação e palestras sobre a programação Python

Projeto busca dar oportunidades em programação e conquistar espaço no mercado digital. (Foto: Divulgação)

Com diferenças entre cargos e salários enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho, ainda existe um outro fator preocupante, o pouco espaço para aprendizados dessas mulheres em cursos com a maior parte do corpo discente formado por homens.


Pensando nisso, em Teresina, em 2016, um grupo de mulheres com o objetivo de se unirem em busca de empoderamento no quesito tecnologia e mercado, decidiram fundar um projeto intitulado Pyladies. O projeto conta com oficinas, workshops, palestras e aulas sobre programação Python. Ana Maria, uma das organizadoras do projeto desde 2016, conta que quando o grupo surgiu, um dos eventos que reúne programadores, a Python Nordeste (maior encontro regional de programação Python), em Teresina só haviam dez mulheres inscritas no evento, número muito abaixo em comparativo às centenas de inscritos em cada edição. “Quando surgiu o Pyladies, teve a Python Nordeste que é o maior encontro regional de phyton. Aqui na cidade só tinha dez mulheres participando do evento (que costuma receber cerca de 200 pessoas). Depois que a gente surgiu foi crescendo o número de mulheres participantes e até organizando esse eventos”, conta Ana Maria.


Para Ana, ver mulheres realizando e ocupando esses espaços é muito necessário, pois ajuda a outras mulheres realizarem um ofício que, hoje em dia, é predominantemente dominado pelo grupo masculino. “Essa questão até para mim foi muito importante, para me ajudar a mudar de área, tô fazendo essa transação agora, tô entrando em Desenvolvimento e Tecnologia.”, relata.


O grupo conta com a participação de mais de 200 mulheres. Anualmente, o Pyladies realiza um evento chamado Django Girls. Ana relata que essa iniciativa já foi a maior da América Latina, com cerca de 90 mulheres inscritas em cada edição.


Bruna Soares, uma das 90 participantes conta como foi sua experiência com o projeto. Atualmente ela também faz parte da organização da Pyladies. “Eu comecei a participar em 2017. Participei do primeiro Django Girls, o primeiro em Teresina, que consiste em um dia inteiro de Workshop voltado para o ensino de Python, através do framework Django, ferramenta para desenvolver blog, feito em Python. A partir desse primeiro contato, fui me aproximando do projeto, no fim do ano, eu fui representando a Pyladies Teresina em evento, e a partir disso comecei a participar da organização da Pyladies”, conta Bruna Soares.

Idealizadoras contam que mais de 200 mulheres já participaram dos eventos. (Foto: Divulgação)

A primeira Pyladies no Brasil, como conta Ana Maria, foi criada em Natal em 2014, contudo o projeto é de caráter internacional, surgindo inicialmente em Los Angeles no mesmo ano do lançamento nacional. E agora, o projeto em Teresina está ajudando outros lugares do Estado a montarem seu próprio grupo. “A gente faz parceria com várias pessoas, com várias instituições. Já fomos para Floriano, para Picos, Parnaíba, mesmo sendo um projeto localizado em Teresina. Agora, está surgindo o Pyladies Parnaíba com nosso apoio. A gente tá ajudando as meninas de lá a fundarem sua sede”, conta Ana Maria.


Ana Maria relata que o preconceito e discursos de ódios estão sempre presentes em seus cotidianos e que é necessário inverter esses padrões sociais impostos às mulheres. “Em universidades, por exemplo, existem instituições que não disponibilizam banheiros femininos nos departamentos como de Ciências da Computação, mesmo sendo uma necessidade básica para permanência das mulheres nessas áreas de conhecimento. Aqui mesmo com o Pyladies a gente já viu, em redes sociais pessoas usando de discursos de ódio para nossas atividades. É preocupante, porque enquanto tem mulher muito jovem começando, tentando interagir e ocupar esses espaços, existem pessoas, principalmente homens, que estão a mais tempo no mercado, desestimulando”, desabafa.


Bruna fala sobre a importância de apoiar iniciativa como essa mesmo não sendo efetivamente parte dessa área de conhecimento. “Eu não sou programadora, estudo programação sozinha e por interesse próprio de conhecimento, sem pretender atuar na área, porém eu participo da Pyladies como organizadora porque entendo a importância desse conhecimento que estamos adquirindo dentro do projeto, os contatos que estamos realizando com outros programadores, isso ajuda muito a gente a ter uma percepção de que é preciso movimentar as coisas por aqui. A partir disso, a gente tenta mobilizar as pessoas que ainda não conhecem o projeto a participarem desses workshops, oficinas, para que possam aprender um pouco mais sobre programação.


Mesmo remando contra a corrente, e contra preconceitos que acabam acarretando em baixa remunerações, ou donos de empresas contrários a iniciativas como Pyladies dificulta na disputa de mercado. Ana também relata que existe um fator ainda mais preocupante o alto índice de desistências de cursos em áreas da Tecnologia. “A quantidade de mulheres que se formam é bem menor que a quantidade de homens, no mercado de trabalho essa estatística também aumenta. A gente fez algumas pesquisas, e o número de mulheres que fazem vestibular para essas áreas é bem maior que a quantidade de mulheres que saem formadas. Nosso propósito é ajudar as mulheres a permanecerem nos cursos e a criarem novas tecnologias. Contando sempre com o apoio de empresas parceiras, que hoje em dia tem um quadros de funcionários que empregam exclusivamente mulheres”, finaliza.


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